domingo, 7 de setembro de 2008

Ausência...


É morada abandonada, é tapera, é tristeza, é pedaço de nós extirpado, é filho roubado.É ver renegado o alento. É não ter o sustento, para matar a fome.

É ter nome, mas paradeiro desconhecido. É o abrigo que não se acha, é um tempo que não passa, é a vida que escorre no fio da navalha, é a falha do tecido, é o bandido cruel, é o fel de uma ausência.

É inclemência do senhor, é flor sem o beija flor, é a dor do amor que partiu. É rio, que as mesmas águas jamais irão nos banhar. É água que o mar, não tem onde armazenar.

É a planta que se esqueceu de brotar. É o ciclo interminável do broto que não vem, é viver sem o líquido mais precioso, é o gozo que fica na ânsia.

É ser criança que saliva de olhos vidrados. É a ruga no rosto do velho cansado. É o sinal apagado na pista de pouso. È a imbecilidade de dizer ao velho doente, que ele tem toda a vida pela frente. É dor da lágrima que cai, é vida que se arrasta. É madrasta.

É vida que se afasta, quando lá fora tudo parece ter lhe esquecido. É o negro sem lume, é a miragem, é o altar sem imagem. É seguir a estrada, sem saber aonde vai.

É a esperança que não sai, é filho sem pai. É berço embalado e vazio. É o frio, é lápide sem identificação. É o duro chão trincado, é o machado que corta a seiva. É o coma de olhos abertos, é o deserto.

É ter as asas partidas, é o espinho cravado, é o soldado solitário na vala. É dor que não cala. É o estandarte de um reino sumido. É zumbido e depois o gemido que sai da garganta, é o eco de um lamento profundo, sentido pela ausência.



Jamais podereremos medir a extensão da dor, de uma perda e de uma ausência.



Beijos, aos que visitam este espaço!


Foto: Ana Franco.


7 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Não tenho condições de apreciar o seu post no seu junto valor agora, querida, pois fui dormir às 5 da matina e me acordaram às 7, mas voltarei para lê-lo com calma.
Estive a ponto de fechar meu Blog por esses dias, devido às línguas maledicentes, mas não vou fechá-lo porque os amigos me apoiaram, e quantos amigos, e, de quebra, fiz um novo post, comentando um excelente filme.
Apareça:
wwwrenatacordeiro.blogspot.com
Um abraço,
Renata

Milly disse...

Ausência é isto...uma morte cotidiana!
Uma vida amarrada na outra...como se alguém nos seguisse diariamente...mas,nunca nos encontrasse!
Temos a sensação de caminhar pro nada...e só nos resta seguir!
.
Como diz a canção..."Circo sem palhaço,namoro sem amasso.."
Ausência é isto...falta algo pra completar...uma peça do quebra-cabeça!
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Beijos,querida...muitos!
Lindo texto!
.

Quasímodo disse...

Qual o valor das palavras? São usadas todos os dias. Umas ferem amargamente, outras reconstroem um sorriso. Têm o gosto de quem as emprega. E são tantas vezes mal empregues que chegam a perder todo o seu valor e respeito. Muitas já nem são ouvidas, outras perderam-se na vulgaridade mundana, e ainda há aquelas que já ninguém se lembra.

Resta-nos o silêncio inconsciente.
(Bruno Moutinho)

Parece até meio fora de propósito e extemporâneo, né?...

Beijo, amiga.

Lu disse...

Milly!!!
Tudo bem contigo? hum?
Que bom que gostou, gracias.
Saudade de tu, viu?
Tens que me passar mais uns pontos novos...

Beijos, muiiitos!

Anne disse...

Nossa, que belíssima descrição. Pude sentir aqui o peso, até tocar a ausência com as mãos...sabes o que tenho vivido, é um pouco de tudo e um pouco de nada. Angústia, ansiedade, desejo, necessidade, vontade...ahhhhhhhhhhhhh =P

Amei, estás cada vez melhor com as rimas, estão cada vez mais belas e suaves, como vc, como sua alma!

Eu amo vc, minha amiga linda. Sabes o quanto é importante na minha vida. Obrigada pelo seu carinho, seu apoio e sua amizade sempre! "És parte ainda do que me faz forte..."

Beijos, felicidades pra vc, sempre!

Fátima N. disse...

____pela mão da ausência tantos sentimentos passam e as seguram, né?
pela mão da ausência passo, trazida de longe, minha parceira, perdoa essa pobre coitada, que nada sabe além de bem querer...
.
um beijo

Fátima N. disse...

____pela mão da ausência tantos sentimentos passam e as seguram, né?
pela mão da ausência passo, trazida de longe, minha parceira, perdoa essa pobre coitada, que nada sabe além de bem querer...
.
um beijo