sábado, 12 de abril de 2008

Ah, se meu fusca falasse!


O meu não falava, mas entendia tudo!!!! E lhes digo por que, acompanhem meu relato...

Era da cor de abacate verde “metálico”, rebaixado, rodinha gaúcha, descarga era direcionada e a tampa do motor entreaberta para refrigeração. Até que estava em bom estado no momento da compra. Tinha um ronco inconfundível (sempre fui apaixonada por ronco de carro, quesito que me fazia decidir na compra de qualquer carro). Ele foi por muitos anos meu companheiro de idas e vindas. Contam meus filhos, que a léguas de lonjura, já sabiam que eu estava retornando e, com tal aviso, faziam tudo parecer normal na minha chegada.

Na época trabalhava na área da cultura, realizando eventos como feiras e exposições que aconteciam em minha cidade. Essas feiras duravam dias e eu me desdobrava em múltiplas tarefas, o que resultava em uma longa jornada de trabalho - iniciando de manhã bem cedo e retornado somente de madrugada, após os shows. Ou melhor, tinha que ficar até depois que a equipe técnica, a de som, de palco, de luzes, artistas e fãs enlouquecidas (com direito a choro, gritos, desmaios, desesperos, piripaques, chiliques, siricoticos dos mais variados) decidissem acalmar seus ânimos e, enfim, tomar o seu rumo. Digo-lhes: nessa hora os galos já estavam fazendo gargarejo para aquecer suas gargantas e dar início ao prelúdio do amanhecer!

Falando em fã, lembrei-me de uma em especial, no show do grupo Roupa Nova. Enquanto era “passado o som” (isso geralmente é feito pela equipe técnica e não pelos próprios artistas, que descansam antes dos shows), eu preparava os camarins tanto para os artistas, como para a equipe técnica. Estava eu envolvida nos preparativos, num vai e vêm descarregando todos os l.753 itens que são exigidos em cada show, mais as idéias da minha amiga e colega de trabalho Marli, que sugeriu que seria interessante fazer mais um agrado e colocar algumas guloseimas extras.

Nesse momento deparei-me com uma moça parada ao lado da porta do camarim. Achei estranho, mas me dei conta de que precisava perfurar os cocos - não tinha a menor idéia de como fazer! Com esse dilema, num “suador” e às voltas com uma faca, eu tentava furar aquele troço duro como uma pedra. Essas horas eu já estava em desespero e pensava: “Mas que raios, porque não servir água-de-coco em caixinha?”. Sentei-me no chão (pois não podia apoiar para perfurar na mesa com a tolha de renda branca, onde eu tinha disposto cuidadosamente pratos de doces, frutas, salgados e não tinha sequer um milímetro de espaço). Concentrei-me na tarefa quase impossível e precisava ser rápida, pois sabia que tinha muitas providencias ainda para tomar.

Quando a porta se abre, eis que entra o grupo Roupa Nova! Num embaraço visível e com sorriso amarelo-pálido, mais puxando para branco, fui dando as boas vidas e pedindo para que ficassem a vontade (com um olho no peixe outro no gato), enquanto falava com o grupo, olhava para os cocos esparramados no chão.

Simpáticos e de uma simplicidade que poucas vezes vi em artistas, eles tomaram acento nos sofás dispostos no camarim, saboreando as guloseimas coloridas (tamanho de amendoim), conversando muito à vontade e elogiando as “gominhas”. Quando deram inicio à passagem de som, respirei aliviada e tentei me recompor. Ufa! Agradeci a idéia brilhante das guloseimas de minha amiga e olhei-me no espelho de corpo inteiro (coisa que todo artista exige no camarim) - levei um susto, pois meus cabelos pareciam ter sido despenteados por um vendaval. E os cocos? Com ajuda de uma alma mandada por Deus, só pode, os cocos foram furados. E a moça? Parada feito estátua ao lado da porta! Não tinha se mexido nem um centímetro do local.

Foi quando resolvi abordá-la, perguntando delicadamente se podia ajudá-la e se procurava por alguém. Ela timidamente disse que veio do município vizinho e que era fã do grupo, pedindo se eu poderia entregar uma cartinha para eles. Ora! O grupo tinha passado por ela várias vezes e acham que ela soltou um “pio” sequer? Nada! Tomei a iniciativa de chamar o grupo, para que ela mesma fizesse isso, já que vinham saindo do palco e expliquei que ela era uma fã, querendo entregar algo. Eles foram muito educados, dando toda atenção à moça. Vendo-a tímida e emocionada, pensei “ela jamais esquecerá esse momento”...

Mas prosseguindo, cansada, com sono, em “frangalhos” para ser mais exata, retornava para casa, fazendo um percurso de 4826472648 quilômetros (segundo a Anne essa é distância exata do mesmo local onde foi assistir recentemente a um show e gostou muuuuuito – se fosse do Roupa Nova ela iria até a pé, porque ela é fã deles!) e aproveito-me da correta quilometragem para ser bem precisa, pois acredito que a Anne nunca aumenta nem um fato em seus relatos.

Pois bem, sozinha, dava início à jornada de volta, me dirigindo ao besouro verdão, já rezando para que ele, ao dar partida no motor, fizesse seu ronco costumeiro e me trouxesse de volta. Se isso acontecesse já passava para segunda parte do terço e na seqüência, o pedido era para que o conteúdo de combustível fosse suficiente para retornar (pois o marcador de combustível não funcionava e nem sempre sobrava tempo para abastecer). Entre uma oração e outra, falava com o verdão “me leve até em casa, pelamoooorr de Deus e não “empaque” no caminho!”

Quando digo que ele entendia o que eu falava, é porque muitas vezes de manhã, o verdão estava sem uma gota do precioso líquido que o fazia andar, mas nunca me deixava no caminho, podia ser sob cerração, chuva ou frio, ele nunca me deixava na mão!

Um dia relatando essa história para uma pessoa, do meu querido verdão, ela me disse: Normal... E completou: Estranho se ele respondesse!

Beijos a todos que passam por esse espaço.

13 comentários:

Milly disse...

Adoro tuas histórias!..rs
Viajo com elas...
Tu és ótima,Prima!
Queria estar contigo neste show.
Imagino nós duas na primeira fila, cantando,com as mãos pro alto..."Dona,destes traiçoeiros...sonhos,sempre verdadeiros"...rss
Bom demais!
Não tive um fusca,mas,já falei assim com uma sandália que arrebentou numa festa!..rs
Eu,lindona,e a danada arrebentou a tirinha...bem na hora que o "mais gato" da festa veio me tirar pra dançar!
E eu apavorada,falando baixinho..."Por favor,aguente até o fim da dança!"..rs
Ela aguentou...por mais umas 10 danças...rss
Minha sandália era guerreira...rsss
Beijos...muitos!

Lu disse...

Mas bah, Milly!
Lembrei-me de um fandango de CTG, em que eu era prenda.
Peões de um lado do salão, prendas do outro ansiosas para um convite para dança! Quando percebo as prendinhas num cochicho e risinhos (hihihihihiiii) e escutei que diziam: Ele é campeão de chula do rodeio da vacaria!
Mirei um vivente que vinha em nossa direção,indio mui guapo...
Pensei: Mas bah tchê, não vai ser eu a convidada para dança...Mas ele passou direto pelas moças, que faziam zóinhos e se cutuvelavam rindo, esperando ser convidadas e getilmente me convidou.
Já saimos dançando uma vaneira, logo após um chote-figurado, quando senti o salto da sandália prestes a soltar ...Mas, como rezava o costume dançar três músicas,pensei guentando mais uma música, está lôco de bom!
Oigaletê, terminando as três músicas ele convidou para tomarmos um refrigrante e seguimos o baile! A sandália? Guentou firme, não sei como...rss As vezes algumas coisas conspiram a favor!
E sabes Milly, temos algo em comum, falamos tão pouco!
Feliz, feliz aká, que bom que gosta, viu?
E segue a prosa!
Beijos menina que gosto!

Betin@ disse...

ah... se meu fusca falasse.....
ainda bem que é cego, surdo e mudo...rsrsrsrs
s´pra saber que estive aqui.
beijos filhota linda

Juan Carlo Morravagin disse...

Lhe confesso uma coisa, o meu não responde, mas seu olhar diz tudo.

Luiz disse...

Ele te respondia em silencio, como fazem os bons amantes...

Pelo visto a menina não conhecia a galera do Roupa Nova, nem por fotos, só suas músicas...

voce cansou de produzir ? beijo

Milly disse...

...rss...
Nem falamos...só damos nossa opinião...e ela é loooooonga!!..rs
E segue a prosa...
Muitos beijos!!
Ótima semana pra ti....prenda!..rs
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Mila disse...

heheheheh....
só podia ser amiga da Anne mesmo... hauahauhauahaua....
É... eu sempre converso com minhas coisas... agradeço que elas não respondam na minha língua... pq medrosa eu já sou... responderem... piro de vez!!!! huahuahauahuaa
Beijos Mila

Booperfly disse...

Oi...
Eu amo o Roupa Nova, conheço-os pessoalmente, sempre falo com eles após os shows e realmente são super simpáticos e atenciosos!
Que vc tenha uma semana produtiva e feliz!
Bjos,
Paulinha
http://www.booperfly.fairy-tales.com.br

««§εмф†ϊvф»» disse...

¬¬

Incoveniente esta pessoinha sem alma que te respondeu hein?! kkkk
Mas essas coisas marcam mesmo.

Grande beijo

Ray

Lu disse...

Mami!!!
Feliz, feliz que venhas aká!
Muuuuiitos beijos!

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Juan!
Olhares mudos, mas que legal...rsss
Obrigada pela visita!

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Luiz!
Conhecia pela televisão, o que não é como contato pessoal...
Obrigada pela visita!

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Ô Milly, acha que alongamos as respostas? Nada! rsss
Segue a prosa!!!
Beijos!

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Mila!
Obrigada pela visita!
Achas que pode ser influência da Anne? Afff rssss
Acho que nossas coisas e nossos animais, acabam com o tempo, tendo muito de nós...Minha gata tem um gêniooooo...afff
Beijos, feliz que veio, viu?

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Paulinha!
Eles são realmente uma simpatia, o povo aká adorou o show deles, aliás um dos melhores shows que pintou aká !
Obrigada, para você também uma ótima semana!
Beijos, volte sempre!!

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Ray...Eu gargalhei quando ele falou isso!
Mas a venda do carro, essa sim, fiz um baita fiaco...rsss
Beijos menina!

Anne disse...

Bah, eu jurava que já tinha comentado nesse post, que maluca!!!

Lu, se eu sou a fã ia dar vexame, pq eu gosto demaaaais deles. Ia estar contigo e a Milly na primeira fila, quase beijando as botas dos "home"...haushaushuas. Acho que eu fui pra esse show aí, com os meus pais...nunca mais vou esquecer!

E depois a gente ia dar umas bandas de fusca e até abastecia ele, pra garantir...ahsuasuas

Amei esse, tu tem jeito pra parte comica tb. Manda vê, Luuu...adorando isso aqui!

Bjos linda, amo vc!!!!

Lu disse...

Anne, não incentiva ...rsss
Eu me empolgo e passo a escrever e faço concorrência com o Espasmo de Riso...rsss Brincadeira, acho que superar vocês três é dificil!
Obrigada, prometo me empenhar na área...rss
Aff...nós no fusca dando umas bandas poraí, não ía ter pra ninguém...hahahha
Ailoviú também !!!
Beijosss

Robo disse...

A quem diga que se você aprender dirigir em um fusca, você dirige qualquer carro... hehehehe. Me considero um felizardo então!
Suas histórias estão cada dia melhores, continue assim... nós “aka” agradecemos!
Beijos.