sábado, 12 de setembro de 2009

Do cotovelo até o joelho.

No tempo, que roupa comprada pronta era coisa rara, e, que roupas novas eram usadas no domingo, pra ir à missa. Entre uma ave-maria e um pai-nosso, era comum às moças colocar reparo, nas roupas umas das outras. Tinha umas moças mais rezadeiras, (parecidas com a Milly). Sentavam-se sempre nos primeiros bancos, como também nas procissões eram as das primeiras da fila, logo após o padre. E claro, se algum detalhe não podia ser visto de longe, então, as curiosas davam um jeito de se aproximar após a missa, puxando um dedo de prosa, pedindo como a estava a família, essas coisas... Só para tirar o modelo do vestido, e fazer igual.


Fiel ao modelo de muito decoro, as moças vestiam-se todas parecidas aos meus olhos. Manga até o cotovelo, (meia manga) e o comprimento até o joelho. Embora, naquele tempo algumas moças já ousavam no decote, e tinham subido a barra para cima dos joelhos. Claro que não para ir à missa. Pois se isso acontecesse, o padre mandava retirar-se da igreja.

As famosas “Casas Pernambucanas”, local onde se comprava os melhores tecidos, trabalhava Seu Helz. E, naqueles tempos, era imprescindível para ser balconista de loja de tecido, saber cortar o pano, e fazer cálculos na ponta do lápis. Seu Helz era o funcionário mais antigo da loja. Era um senhor de certa idade, baixinho, cintura de ovo, bochechas rosadas, e com um grande sorriso nos lábios. Ah, lembrei-me da propaganda que escutávamos na rádio, na época. Corríamos pra escutar e cantar juntos. Começava assim:

Toc, toc, toc! Uma voz pedia:

_ Quem bate? Aí outra voz respondia:

_É o frio!

Aí começava a musiquinha:

"Não adianta bater, que eu não deixo você entrar
As casas Pernambucas, é que vão aquecer o meu lar
Vou comprar flanelas, lãs e cobertores
Eu vou comprar nas casas Pernambucas
E nem vou sentir o inverno passar. "

Mas o que mesmo estava dizendo? Ah, lembrei! Seu Helz tinha uma mania. Cada pouco, saia em passinhos curtos e rápidos indo para o meio da rua. Dava uma girada completa, olhando para o céu e voltava rapidinho em direção a loja. E para o primeiro que surgisse na sua frente, dizia: Não vai chover!


Sempre que alguém passava-já sabendo de tal fato, pedia ao Seu Helz: Será que chove hoje? Só para o ver sair rapinho e fazer à mesma coisa. Parecia o passarinho do relógio cuco. O nosso divertimento era achar um lugar estratégico para observar, apostando, quantas vezes ele sairia para ver o tempo.



Um ótimo final de semana!
Beijos!

P.S.: Milly deve lembrar da propaganda. Embora só tínhamos rádio na época, achei o vídeo da propaganda de 1962. Pra quem quiser matar a saudade acesse:

Imagem: Getty Images.

30 comentários:

Amanda disse...

Lucica..eu amava essa propaganda..muito boa...

*ontem eu fui ao hospital, ele me fez até carinho...e falou(quer dizer tentoum, ainda não sai som)mas deu pra ler direitinho..amocê!
to muito feliz!!!!!!!

bjos!

Milly disse...

Ah,eu rezo muito mesmo!..rs
Já te falei,eu e Paulina fomos assim ó,unha e carne.
Eu só não fui canonizada,pq ainda não morri...mas,aguarde e verás...rs
Lembro bem deste tempo de missa.
Minha mãe costumava perguntar,qdo chegávamos em casa,qual tinha sido a pauta do evangelho(eu sempre desconversava,pq raramente lembrava...rs).
Qto a música das Pernambucanas,eu não só lembro como cantei muuuuuito enquanto me balançava na varanda lá de casa!
Por conta desta,lembrei de outra que fazia parte do meu repertório...veja se lembras:
"Marco extraordinário,sesquicentenário da Independência...
Potência de amor e paz,este Brasil faz coisas que ninguém imagina que faz..."(e por ai vai...ainda lembro de toda a música!).
Ou aquela de Don e Ravel,que virou tema do Mobral,lembras?
Ah,bons tempos!(coisa de velha isto,né?)
.
Gosto dos teus textos...volto á infância com eles.
Vivemos distantes,mas,nossa infância foi muito semelhante...(me pego pensando como os homens conseguiam passar informações e viverem de forma tão parecida,numa época de mato e onça...rs).
Nos fiz jurássicas,agora...hehehe
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Beijos!!
Muitos!!
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Dil Santos disse...

Lu querida
Como está?
Essa do senhor fazer o passinho é ótima, rsrsrs
Bjo
:)

Oliver Pickwick disse...

Memórias da publicidade, idas à missa, e o perfil de um tipo curioso e simpático. Simplicidade que resulta em felicidade em alto grau. As melhores coisas da vida são aquelas mais simples.
Estou de volta.
Um beijo!

Quasímodo disse...

Ah, lembranças, Lu... Tão vivas.

Também lembro da musiquinha... E foi lá que o pai comprou um "pulguento" para nós... Era um cobertor de lã, daqueles bem simplezinhos... Antes não conheciá-mos. As noites frias eram enfrentadas com um alcochoado feito à mão, pela mãe, recheado com lã, lavadas, quaradas e alvejadas, das ovelhinhas criadas no potreiro ao lado da casa. E com muito carinho.

Um grande abraço, amiga.

Eric R. disse...

É sempre bom recordar coisas boas por mais simples que sejam, são essas que nos trazem a saudade e lembranças dos momentos bons que ainda conseguimos viver.

Beijo :D

Lu disse...

Amandica, ainda existia essa propaganda quando nasceu? rss


Fico muito feliz, com as notícias.
Beijos, málinda!

Lu disse...

Milly, chegar em casa e relatar o que o Padre falou, também não era meu forte. Até escrevi um texto, lá no começo do blog, sobre o fato.

Como era a do Mobral? não lembro, ( ando de memória fraca)kkkkkkkkkk Canta um pedacinho?

Eu adoro esses causos antigos, acontecimentos de antigamente. Fez? nem percebi...rss
E, eu adoro seus comentários. Me divirto muito!

Beijo, menina rezadeira que eu adoro!

Lu disse...

Dil, eu estou bem. E você?
Era hilário, o tal senhor.rsss

Beijos, menino querido!


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Caro amigo Oliver!
Concordo com tudo que escreveu.
Feliz retorno!¨Fez falta, no mundo blogueiro!
Beijo!


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Quasimódi!

Conheci bem os pulguentos.rss
Lá na sua casa eram acolchoados de lã? que chique! Nós só tínhamos, de pena. Eita lasqueraaaaaaa...as penas se boleavam tudo pra um lado, e a gente ficava coberta só com o tecido. Acordava dura de frio. kkkkkkkkkkkkk

Outro abraço, do tamanho do Rio Grande!


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Eric R. Verdade!
As coisas simples fazem profundo sentido.
Obrigada pela gentil visita.
Beijo!

antonio - o implume disse...

Pois hoje as memórias são todas iguais, os produtos os mesmos, o George Cluny venda a Nespresso em todos os cantos do mundo!

Fizeram do nosso mundo um quintal!

Eric R. disse...

Ola a viagem foi muito proveitosa apesar de chegar quase sem voz kkk mas foi muito boa.
Obrigado

Beijo :D

Amanda disse...

Lucica..bom dia...

Acho que a da minha época era mais muderna...
Obrigada pela torcida...tomara que só tenhamos boas noticias....

Ah, Vc é Reikiana?

BJos!

Quasímodo disse...

Hahahah... Essa das penas se bolearem prum lado, é ótima.

Mas as lâs também se boleavam. Então a mãe recomendava: fiquem quietinhos pra lã não "abatumar" nas costuras....

Abraço.

Milly disse...

A musiquinha do Mobral era assim...
"...você tbém é responsável,então me ensina a escrever,eu tenho a minha mão domável e tenho a sede do saber..."
Pensando bem,não era de Dom e Ravel,não.
Não lembro de quem era,ah,deixa pra lá...rs
Dom e Ravel cantavam esta,ó...
"As praias do Brasil ensolaradas
O chão onde o país se elevou
A mão de Deus abençoou
Mulher que nasce aqui
Tem muito mais valor.
(...)Eu te amo meu Brasil, eu te amo
Meu coração é verde,amarelo,branco,azul,anil
Eu te amo meu Brasil, eu te amo
Ninguém segura a juventude do Brasil!"
Ah,como cantei estas músicas!!!
rs
Beijos,querida!
.
.

Lu disse...

Ah, Antonio ainda podemos fazer de nosso quintal o nosso mundo!
Eu faço!
Obrigada pela visita!

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨Amandica, acho também que você já nasceu no tempo das mudernidades...rsss
Feliz, com as boas notícias.
Beijo!



¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Milly, pois agora lembrei da duas...rss

Bah, e eu então! Cantei de ficar com a veia do pescoço saltada e sem voz! kkkkkkkkkkkkkkkkk
Tempos bons!

" Adoro meu Brasil de madrugada, lá lá lá... Nas horas que estou com meu amor..." (acho que lembro ainda)rsss
ó...vamos lembrar outras, e colocar no repertório!

Bah, a nossa dupla sempre foi perfeita. Quando uma não sabe, persegue a outra, né? rss

Um lindo dia, beijos! ( uma cesta cheia, com flores e umas rapaduras, pra móde de um agrado procê).

P.S.: Só não fala o nome da dupla, pq é muito brega! kkkkkkkkkkkk

Milly disse...

Qualé?
Brega?
Desde qdo "Chicotinho e Salto Alto" é brega?
Esta parceria é de sucesso!..rs
Vou lembrar de mais algumas.
Verás que é tudo coisa clássica...rs
.
Beijos!!!
.
.

Anônimo disse...

Muito lindo seu blog... adorei as fotos e as estatuas...

beijos da Jenny

Amanda disse...

LU...Kd vc que nunca mais escreveu???

bjos!

Amanda disse...

Lu...como que faz para gente ter um selinho do blog..acho o seu lindo q queria fazer um pra mim....

bjos!

Lu disse...

Aré Milly!
Não era pra falar, que vão pensar dessa dupla com esse nome? kkkkkkkkkkkkk
É brega por demais da conta sô!rss

Imagino os clássicos, como essa?
" Fizêmo a úrtima viagêeeeeee..."

Só, vou mandar beijos. As rapaduras hoje cê não ganha, por ter contado o nome da dupla.kkkkkkkkkkkkkk

Lu disse...

Olá Jenny! Que bom que também gosta de estautas. rsss

Bem vinda e volte sempre. Porta sempre aberta.
Beijos!

Lu disse...

Amandicaaaaaaaaaaaaaaa...
Escutei você chamar, lá do jardim. Estava vendo um passarinho fazer um ninho, numa casinha que tinha colocado pra eles. Coisa mais amor, ele está trabalhando faz dois dias, ajunta cisco e pauzinho e t´raz no biquinho...rsss
Me entusiasmei e estou construindo um pombal. Mas ó... não me dou bem como marceneira não. Sempre tem vento quando vou pregar, pois os pregos entortam tudo... hahahahhahaha


Respondendo as outras perguntas: Sim, sou Reikiana. E o selinho do blog a Anne que fez pra mim, e me deu de presente. Fofinho, né? eu adoro ele! Posso falar com ela ver se ela faz um pra você, tá?

Beijos, málinda!

Lu disse...

Quasimódiiiiiiiiiiii... ó, uma orquidea floriu finalmente! Tem duas florzinhas...rsss

P.S.:Estou sem msn.Deu um pane aká.

Abraços pra tu, pra comadre e pra família toda!

Dil Santos disse...

Oi Lú, como está querida.
Sumiu heim? rsrs
A mais pura verdade, se formos ligar para o que dizem já viu o resultado catastrófico que pode acontecer em nossas vidas.

bjo Lú
:)

Amanda disse...

Lucica....sabia que vc era Reikiana....só podia, mesmo!!!rsrsr A gente se reconhece, neh?

Pensa em uma pessoa que tem habilidade com o martelo? Não sou eu...tb sou uma negação, mas eu tento, invento, passo raiva, mas depois fica assim, meio torto, meio penso, mas sai..o importante é o carinho que colocamos nas coisas....pra isso aposto que vc tem jeito!!!!

BJos mil!

Oliver Pickwick disse...

Esses "pulguentos", na minha região, são conhecidos como "bicicleta", pois pedala-se durante toda a noite em tentativas de equilibrar um clássico dilema existencial: cobrir a cabeça, ou os pés? Esta era a questão. Não havia pano suficiente para as duas alternativas. :)
Um beijo!

Be disse...

oi amadinha
falta a dos cabelos....kkkkkkkkkkkkkkkk
beijos ...
estou com saudades da filhota querida

Lu disse...

Amandica não é fácil mesmo esse troço de serrar e pregar. Acho que tenho mais habilidade como pedreira...kkkkkkkkkkkk

Mas mesmo assim, a parte da frente do pombal está pronta. Mas o restante vou apelar pros meninos amanhã. Depois tiro um retrato e coloco aqui...rss

Ahã, mesmo virtualmente existe afinidades etc e taus.

Beijos, menina querida!

Lu disse...

Dil, sumi né? eu estava fazendo umas construções. rsss

Tenho que renovar a página e nem escrevi esta semana. Também tenho que fazer tudo..kkkkkkkkkkkk
Tudo eu, tudo eu!

Beijos, menino querido por demais da conta!

Lu disse...

Oliver!
Ahhhh...também conheces o tal "pulguento". (Rindo aqui). Realmente era bem assim! Dele pedalada!

Beijo, caro amigo!


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Mamiiiiiiiiiiiii
Que alegria ter sua visita aká.
Qual mami? Aquela que pintei os cabelos de roxo?

Estou sem msns, nem posso te pedir se é.

Beijos, muiiitos !!!!