sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fragmentos_II

Sorvendo a vida às colheradas, ou outras medidas, aprazíveis em cada situação. Nas escolhas dos caminhos, que se bifurcam por alguma razão... Deixando rastros, tal uma vela, pingando promessas pelo chão.

Como no confessionário, a dizer das faltas menos graves, para a penitência ser mais suave. De vendas e sem asas, marionetes, razoáveis de pés fincados no chão. Uma forma limitada e nada criativa de olhar uma situação.

Não seriam as dores e inquietações, desejos e alegrias, que pelas mãos dos poetas, transformam-se em poesia? Ou serão loucos visionários, vestindo seus anseios de versos, sem limitar-se pela visão?...

Há tanta genialidade, até pela janela da boêmia...

Todavia, escoa-se mais um dia na roda do tempo, rodando em trilho aberto, juntando fragmentos...




Imagem: Renato Miguel-Olhares.


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Fragmentos...



O aroma das flores mesclado à brisa amena, bem como os pássaros em seu solfejar, parecem encantar esse lindo dia...

Donde estou, observo-o compenetrado em sua leitura. Contenho-me. Não ouso interromper tão doce momento...

Ele está aqui, sim está!... Inserido a este espaço, tão junto a mim...

Que direi de sua chegada de mansinho, como quem chega de férias, trazendo pra minha alma, meio calma e meio ansiosa, tão doce lenitivo?

As flores bailam em um ritmo lento, embaladas pelo vento e as árvores acompanham o bailado, balançando seus galhos, agitando suas folhas harmoniosamente... As borboletas sobrevoam as flores, interligadas a coreografia de forma majestosa. As andorinhas e os pombos agitam suas asas para entrada em cena, ao sinal do canto do sabiá, lá na ponta do pinheiro, seguido do colibri que faz sua entrada no ápice, seguido pelo coro de pássaros que emitem suas notas mais altas...

Alouco, revela-se aos poucos, a plenitude de um dia!

Oh! que memória a minha! Absorta, nessa viagem do tempo não relato quem avisto, não retratei sua imagem, tão pouco precisei a hora, e o dia...

Quiçá poderia?

Ah, vos digo: Isso não importa!

Por certo, quente está o dia. Direis que o sol escaldante ultrapassou a aba do chapéu, atingindo meus miolos... Palavras ao léu? Não seria uma xavena de palavras que bebemos pelo universo de versos, com cenas, de tardes plenas?

Ora, pois... assim sendo, peço-te uma colher de chá!...

Espere! Indago-me imersa nas evidências, e com tais fragmentos desse cenário povoando minh'alma, melhor seria rogar-te uma bela xícara cheia!

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P.S.: Ocorreu-me, se chá escreve-se com ch, xícara com x. Então chávena, não pode ser xavena? Fecham-se as cortinas, enquanto penso o que escrever na segunda parte. Espere! Segunda parte? Preciso consultar a escritora, saber de sua inspiração... Por hora, melhor somente fechar a página. E dopo, che questa possibilità si vedrà!


Alouco: O que é representado ou expresso por um sinal, um sistema de sinais, um gesto, um fato. / Lingüística Representação mental e...
Chávena ou xícara é um recipiente em forma de taça, e costuma vir acompanhada do respectivo pires formando um conjunto, que por sua vez pode fazer parte de um conjunto maior de várias chávenas, pires, bule, açucareiro, leiteira, etc., compondo assim um serviço de chá.
De acordo com o Dicionário da Porto Editora, chávena (do malaio chavan, ou do chinês cha-kvan) é «pequeno recipiente com asa, geralmente de louça, que serve para tomar bebidas, quentes ou frias.
A palavra xícara não tem que ver etimologicamente com chá; entrou por intermédio da língua espanhola, mas é de origem nauatle, língua nativa mexicana.
Note-se que ch ainda hoje corresponde ao som [tʃ] em falares do Norte de Portugal. Assim, chave, chão, chamar são dialectalmente pronunciados como se houvesse um t antes de ch: "tchave", "tchão", "tchamar".
Já o grafema x é a grafia mais tradicional para indicar o som que ocorre em baixo. Só a partir do século XVIII é que as grafias ch e x passaram a representar ao mesmo som, o que explica que xadrez e chamar comecem hoje pela mesma consoante, apesar das diferentes grafias que a representam.

Pai google é o máximo!
Tchau!


quarta-feira, 21 de julho de 2010

Nesses dias de invernia...



Aqueço reminiscências dos dias vividos, retemperados de sonhos férteis, mesclados às preces, e as possibilidades da vida... Tento entender, o que me fez ter tão pouco para dizer, tão pouco a comunicar, quase nada para contestar, e muito pouco para questionar...

Quem sabe seja a velha e sábia sensatez presente... Pra que essa existência não termine simplesmente fragmentada, em um caminho, em uma inverdade, em uma ideia, em um conceito, ou, em uma ilusão...

Foram-se os motes a trote, feito uma tropa de mulas em retirada, carregadas levando em seu bojo conjecturas, fatos, pensamentos, sobrando apenas cismas conselheiras, sussurrando parcos argumentos...


Talvez então, após essa cena estapafúrdia, reste-me fechar a porteira, enquanto em patas lerdas, segue a carga rumo à fronteira... Quem sabe andejem pelo espaço que elas merecem, seguindo em busca de horizontes, e novas fontes... E no vazio destas tardes de frio, calada, eu encontre a razão desta prolongada estiada...


Beijos, caros visitantes!


sábado, 12 de junho de 2010

Embora venham ventos contrários...

Quando o vento fica sestroso, balançando esperanças, apagando rastros, quebrando as balizas das trilhas, desviando horizontes e confundindo a geografia... Feito vidraça embaçada, figurante dessa estranha sorte, o que outrora parecia uma visão clara, transforma-se em nevoeiro...

Segue-se, com olhos pra dentro. Mastiga-se a fala, afogam-se ânsias, com lembranças, que são estampas presas nas retinas... Verga a taboca, sangra a sanga do olhar, enquanto procura-se um norte, um sentido pra esses dias.


Campeia-se alento nos limites das fronteiras, nas cancelas, e nas cacimbas de águas limpas... Embora com cismas do mau tempo, o vento soprando ao contrário, e mesmo, sem ter o que dizer!...



Milly, mesmo que o vento sopre ao contrário, nós, como descendentes de Anita e guerreiras, temos que preservar nossas raízes e honrar a descendência! Grande afinidade nos une nessa amizade de longa data. Este escrito é em homenagem pra ti, minha querida amiga.
Beijos!


Sestroso: que tem sestro; mania, cacoete.
Taboca: bambu, taquara.
Cancela: porta gradeada, em geral de madeira e de pouca altura.
Cacimba: poço cavado até o lençol de água.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ao pé do fogo...

A vida ensina, o fogo fascina... O primitivo não sabia reacendê-lo. Era necessário vigia-lo, pois do fogo dependia a sua sobrevivência. Detinha o poder, a tribo que detinha o fogo. Todavia, não existia toda essa confraria de palavras...


Então, me pergunto: Teria eu voltado ao tempo primitivo?




No fio da fumaça que se vai, esvaecem as poucas palavras que tento juntar, desprendendo-se de mim feito costura desmanchada... Tento novamente costurá-las, mas elas passam rápidas, tal cavalo pela estrada a buscar parteira...

Cambiaram-se, nas patas em tropel... Quem sabe buscando guarida, ou, quebrando amarras...

Quem sabe permanecem ocultas, caladas, ou quedadas, entre a cinza e a fumaça...

Quem sabe apressadas hibernaram. E sua volta tenha hora marcada, mesmo que seja em uma noite fria, branca de geada...

Nem me espanta. Emponchada de paz dou um sorriso... Minh’alma sabe do que preciso... Por hora, inda continuo forjando ao pé do fogo, enquanto o vento canta lá fora...

Segundo de eternidade... Momento que sorvo em serenidade. No passo das horas, não há embate, não há antes, nem o depois. Somos dois; o fogo a crepitar, e eu, a contemplar...


Beijos!

Foto tirada pelo meu filho:
Ao pé do fogo, eu, e meu companheiro inseparável Frederico II.



domingo, 30 de maio de 2010

Vestígios de uma história inacabada.



O tempo era a janela onde meus olhos depositavam esperanças...Eu tinha o tempo. O tempo detinha meus olhos presos na janela, feito sentinela do tempo que escorria...



Era imperioso que ele viesse... Entre anseios e preces, observava o dia findar, e outro começar... Meus olhos alheios, paralisados na vitrine do tempo, repetiam todos os dias à vigília... Velando, cansados de céu, sol e distâncias...


Beijos!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Reminiscências...


Fruto de léguas embalado pelo vento, e no compasso de cada passo... Nos cansaços sem nome nas taipas, dormitando nas lonjuras de tantos sóis e geadas... Vivenda simples em meio à seiva que banha a vida. Debruçada na paisagem, meus olhos roubam as cenas... Contemplando o espaço e vagueando pelos caminhos de essências e matizes, vejo ninhos, acasalamentos e rebentos...


É lento o tempo... Calmamente a noite se acomoda no silêncio dormido nas sombras, enquanto a lua cheia se derrama num branco véu, carregando a luz que respinga pelos caminhos...


Beijos!


Imagem: Maria Isabel Batista-Olhares.