segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ao pé do fogo...

A vida ensina, o fogo fascina... O primitivo não sabia reacendê-lo. Era necessário vigia-lo, pois do fogo dependia a sua sobrevivência. Detinha o poder, a tribo que detinha o fogo. Todavia, não existia toda essa confraria de palavras...


Então, me pergunto: Teria eu voltado ao tempo primitivo?




No fio da fumaça que se vai, esvaecem as poucas palavras que tento juntar, desprendendo-se de mim feito costura desmanchada... Tento novamente costurá-las, mas elas passam rápidas, tal cavalo pela estrada a buscar parteira...

Cambiaram-se, nas patas em tropel... Quem sabe buscando guarida, ou, quebrando amarras...

Quem sabe permanecem ocultas, caladas, ou quedadas, entre a cinza e a fumaça...

Quem sabe apressadas hibernaram. E sua volta tenha hora marcada, mesmo que seja em uma noite fria, branca de geada...

Nem me espanta. Emponchada de paz dou um sorriso... Minh’alma sabe do que preciso... Por hora, inda continuo forjando ao pé do fogo, enquanto o vento canta lá fora...

Segundo de eternidade... Momento que sorvo em serenidade. No passo das horas, não há embate, não há antes, nem o depois. Somos dois; o fogo a crepitar, e eu, a contemplar...


Beijos!

Foto tirada pelo meu filho:
Ao pé do fogo, eu, e meu companheiro inseparável Frederico II.



domingo, 30 de maio de 2010

Vestígios de uma história inacabada.



O tempo era a janela onde meus olhos depositavam esperanças...Eu tinha o tempo. O tempo detinha meus olhos presos na janela, feito sentinela do tempo que escorria...



Era imperioso que ele viesse... Entre anseios e preces, observava o dia findar, e outro começar... Meus olhos alheios, paralisados na vitrine do tempo, repetiam todos os dias à vigília... Velando, cansados de céu, sol e distâncias...


Beijos!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Reminiscências...


Fruto de léguas embalado pelo vento, e no compasso de cada passo... Nos cansaços sem nome nas taipas, dormitando nas lonjuras de tantos sóis e geadas... Vivenda simples em meio à seiva que banha a vida. Debruçada na paisagem, meus olhos roubam as cenas... Contemplando o espaço e vagueando pelos caminhos de essências e matizes, vejo ninhos, acasalamentos e rebentos...


É lento o tempo... Calmamente a noite se acomoda no silêncio dormido nas sombras, enquanto a lua cheia se derrama num branco véu, carregando a luz que respinga pelos caminhos...


Beijos!


Imagem: Maria Isabel Batista-Olhares.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

The magic moment...

Na longitude das profundezas de meu ser. No âmago da célula central, em que habita e reside o instante de tempo que resguarda, onde vela e revela guardando o sagrado da essência tranqüila, serena, e que nos permeios das beiradas continuam existir, ao sabor do tempo que passa e vagueia vagamente. Continuamente, com a magnitude e nobreza de um existir preguiçosamente ativo, relativo ao vagar de um dia novo. Com lembranças do que foi, do que passou e passará na esfera dimensional do viver do ciclo de uma vida, feito raiz, rama e semente germinada em mais uma estação. Correlacionado na candura e ternura, saboreada do amanhecer com sua paisagem, e com a força ativa que estabeleceu conserva a ordem natural das coisas, que principia e surge elevando-se no raiar do dia que amanhece, emergindo de novo, e novamente. Que particularmente nostálgico e motivador, convalesce guarnecido na paz de somente existir ao sabor do embalo da brisa instantânea e fresca, que sopra delicadamente sem receios. Soprando suavemente, como um fungar no cangote. Como a encantar magicamente poros, sentidos e a pele. Arrepiando gostosamente, sem ampliar e alterar o clima, nem mudar o frescor da manhã. Balançando as folhas nas árvores, seus frutos pendidos e quase amadurecidos prendidos aos galhos com molejos preguiçosos, mas firmes ao tronco. Feito estandartes, deste paraíso restrito e de poucos metros fazendo parte do todo, que cedem espaço aos pássaros acordados pelo clarear do dia. Árvores que são casas, para pássaros que cantam encantadoramente quebrando o silêncio, mirando ao longe o alimento para seus filhos famintos. As asas das borboletas também acordadas, de várias matizes, dimensões e de tamanhos variados, parecendo bordados delicados, feitos nos enxovais das virgens esperançosas imaculadas e puras de outrora, de flor em flor, seguem no ritmo e no compasso do soprar do vento, majestosamente com seu bailado.


Livres e sem rédeas, sem passaporte, sem o compromisso de atingir o peso ideal,sem sentir a marca quente, nem o peso do buçal, estes seres indefesos e apaixonantes embelezam a natureza, fazendo um momento sem igual. Neste início que começa e segue, paulatinamente vivo a plenitude de ser, de viver e sentir a delícia do repetir mais uma vez, um novo amanhecer!

P.S.: Visitantes, amigos e navegadores... Eu, que resido neste Brasil imenso e lindo, me dando o luxo de viver encantada observando a natureza, me dei férias da escrita. Todavia, presenteei-vos com esse belo texto de nexo. ( kkkkkkkkkkkkkkk)
Um pouco de besteirol, juntado ao descompromisso de ter coisas para dizer, me sinto a vontade de somente existir ociosamente, contagiada pela natureza tranqüila.
Um belo início de ano para todos.
Beeeeeijos!


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Culinária Natalina...



Lembrei-me que minha mãe fazia bolacha na véspera do Natal. Claro que tudo que ela fazia, era em escala industrial. Eu, no posto de sua ajudante imediata e única auxiliar, tinha que limpar as formas e engraxa-las, cuidar do fogo no forno-que ficava lá no fundo do quintal. Tocar a manivela da máquina de fazer bolacha,( aquelas que também eram usadas pra moer carne) e, recortar a outra parte da massa em forma de estrelas, corações, etc. Levar as formas com as bolachas para assar, retirar as bolachas depois de assadas, voltar a engraxar novamente as formas, e repor novamente com mais bolacha para assar.

Céus! Ela fazia tanta bolacha, que dava pra entupir a dentadura de velhos de um asilo inteiro!

Ufa! Enfim quando as bolachas estavam todas assadas, começava a segunda etapa que era bater umas quantas dúzias de ovos, ou melhor, às claras em neve, cuidando pra que ficasse bem firme o merengue. Não tinha batedeira, isso tudo manual. Depois de colocar o merengue nas bolachas, decorava-se colocando o açúcar de confeiteiro e voltava-se a levar as formas com bolacha para o forno, para secar o merengue.

Tinham umas quantas escadas, não eram de muitos degraus, mas que no final do dia representavam mais altas que a escada do Cristo, no Rio de Janeiro. Que lá pelas tantas eu já subia de quatro pés, de tão cansada. Isso tudo precisava ser rápido, porque se tinha uma coisa que minha mãe sabia fazer muito bem-além de cuca e bolacha, era mandar.

Sempre que ela dava uma nova ordem, completava a frase dizendo: Schnell du!!!

Isso era uma maratona pra um dia inteiro. Mas depois, ainda tinha que limpar a cozinha, que ficava cheia de farinha até o teto. Parecia que ela despejava a farinha com o ventilador ligado. O chão da cozinha tinha umas frestas de dois dedos de largura, e claro que limpar tudo isso levava horas. A sorte era que naquele tempo, derretiam-se uns tabletes de cera, bem vermelha, que levava pelo menos uns três dias pra desencardir as unhas, mas pelo menos disfarçavam algum resquício de farinha. E nada fácil era abrir o lustro do assoalho, com o tal escovão e um pano de lã, depois que a cera estivesse seca. E por mim, eu dormiria por três dias e três noites após isso.

Todavia, mais um ou dois dias ela anunciava: Amanhã vamos fazer cuca! Juro que, muitas vezes pensei em fugir de casa, bem na véspera do Natal.

De manhã, bem cedo começava a mesma maratona, pega as formas, limpa as formas, corre fazer fogo no forno, alcança os ovos, vai ver se o fogo não apagou...

Era cuca recheada de creme de chocolate (minha preferida), cuca recheada de laranja, cuca recheada com creme de groselha, cuca com cobertura de isso e aquilo...

Então, depois de tudo isso ela dizia: Agora pega e leva uma cuca pra Dona Morena, uma pra Dona Negra, um pra sicrana e outra pra beltrana...


Relembro rindo, mas me canso só de pensar o quanto corria nesta data.



Beijos, caros vistantes!


P.S.: Schnell du, significa: Rápida você.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Mistério da ceia...


Nesses últimos dias mexendo nos enfeites de Natal, fabricando gnominhos, criando mais alguns adornos natalinos, e começando a decorar meu doce lar, lembrei-me de um fato do passado... Ou melhor, algo que desconhecia e me intrigava. Passei anos sem citar meu desconhecimento, e nem demonstrar que não tinha menor noção do que se tratava.

Quantos anos eu passei na maior ignorância? Ah, não saberia dizer...


A sua fórmula seria milenar? Guardada em segredo a sete chaves e descoberta em algum reinado distante?


Ano após ano, sempre nesta data, seguia eu no meu dilema ao abrir uma revista à procura de inspiração para decoração natalina... Ao deparar-me com belas imagens e mesas decoradas para ceia, aquele prato tradicional me fazia pensar: Que será isso?

Teria o destino conspirado em meu favor, num dia belo dia ensolarado em que lá eu me debruçava sobre uma das revistas, e os pássaros em revoada por sobre o pátio a contemplar o momento sublime em que o segredo desvendava-se? Ou seria por ser véspera de Natal, e meu presente seria a revelação?

Enfim chegara o dia. Ante meus olhos, estava o esclarecimento:

“Receita de Rabanada!” Pão amanhecido, embebido em uma omelete de ovos, farinha, pitada de sal e açúcar, canela, frito.

Céussssssssssssssssssssss!!! Com mil raios, isso é rabanada??? Foi o que me perguntei, seguida de uma gargalhada.

Aquilo que comíamos sempre quando o pão estava endurecido, nas manhãs de nossa infância-antes de ir pra escola, era o prato fino que constava no cardápio das ceias Natalinas, das mais nobres mesas. Todavia, não lembro a data do descobrimento. Isso faz muitos anos, e foi muito divertido. Sem internet, sem Google para esclarecimento, nosso passado foi outro.

Beijo aos visitantes!


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Anne!!!


De vez em quando, surge no céu uma nova estrela. Brilhante, dessas que passamos horas olhando seu brilho. Em minha vida, algumas estrelas surgiram em forma de pessoas, como presentes enviados em determinado momentos de minha vida.

Anne surpreendeu-me com sua amizade e carinho, num momento difícil que absorta em meu dilema, não fazia idéia da importância que viria a ter em minha caminhada. Uma estrela enviada, com seu grande amor incondicional.

Anne, querida amiga... Agradeço este espaço, que criaste com tanto carinho. Seu apoio, amizade, tolerância e incentivo. Obrigada por tudo!


P.S.: És especial, e me faltam palavras para dizer de ti. Que Deus lhe abençoe!