
Tenho olhos marcados de horrores, lavados de lágrimas, emoções e partidas... Todavia, eu os tenho com o brilho das alegrias, das minhas gargalhadas e das minhas trapalhadas.
Tenho um coração cansado e machucado, de sofrimentos, de terríveis momentos, mas que bate resistindo, que não descansa; cheio de esperança.
Tenho um semblante forte, planos férteis e a coragem de muitas mulheres. E o que não tenho, eu faço, passo a passo.
Tenho marcas de lutas, de preconceitos que doem no peito, da rejeição marcada na feição, da tal de nata, que nem é de passar no pão. ( e que de tão azeda, virou manteiga).
Lembro a impressão que tive, do que foi me dito, por seres esquisitos, que falam sem reflexão, para depois em aflição, pedir perdão.
E meu nome, nem ainda sabia escrever, muito menos prever, a dureza de um ser.
Tenho enfim, a conclusão, de que a palavra pode matar e de que o sonho não deve acabar. Que em vez de chorar, passei a questionar. Que existem muitos dons, mentes e saberes diferentes, gente que mente e seres inconseqüentes...
Tenho observado que há uma longa distância, entre o discurso e a ação. Mas que toda ação é movida por uma intenção.
Tenho a inspiração, de tudo que já vivi e senti. Quadros pintados, cortina com babados, páginas de escritos e rabiscados.
Tenho a liberdade, tempo para aprender, alguns limites de visão, mas principalmente a compreensão, de que a vida não se baseia no “ter”.
Não se leva nada daqui, somente o que vai ao coração. E por mais que seja dura a lição, somos todos seres em evolução.
Tenho quase tudo: horas de espera, um baú de histórias, uma boa memória. Mas o que não tenho e espero, é vê-lo novamente no portão, um sorriso sincero e depois um abraço e ouvir teus passos, voltando para mim.
Beijos, aos visitantes!