domingo, 6 de julho de 2008

Almas que se amam...


Quando almas se amam nada é maior, nem vidas apagam o seu desejo de reencontro... Definir tais laços com palavras torna-se muito difícil, mais fortes que os laços sangüíneos, os laços espirituais, transcendem o tempo e vidas e se aproximam de uma forma única!

Que força estranha, que mistério profundo, que magia em nossa criação, que nos faz tão necessitados de nossa outra metade.

Quando me perguntava de como seria a pessoa que buscava, não sabia explicar. Sabia somente que não havia encontrado, mas que um dia o acharia!


Eu e minha alma, por muito tempo sofremos, não entendia sua necessidade, mas minha alma, sabedora de sua existência, clamava sua presença... Era como se o ar que eu respirasse não enchesse meus pulmões, faltava literalmente um pedaço de mim!

Com uma saudade imensa, algo que me fazia ao mesmo tempo rir... Pois me dividia em duas, olhando para mim mesma que chorava, e perguntava: mas saudade de quem? Ah, como poderia responder? Queria traduzir em palavras de forma consciente, tamanha necessidade de tê-lo, mas não encontrava, não existiam definições plausíveis dentro de meu vocabulário que traduzissem a profundidade infinita de meus sentimentos... Partir dessa vida sem tê-lo junto a mim, era um desperdício de uma existência...


Beijos a todos que visitam este espaço!


Imagem: Getty Images

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ao encontrá-lo...

Recados e Imagens - Arte - Orkut

Era como se ele lesse meus pensamentos, dizendo exatamente o que eu pensava e o que eu sentia. Foi como já o conhecesse a vida inteira, nada foi estranho... Era, como se ele tivesse ido logo ali e voltado. O abraço era do tamanho do meu, absurdamente perfeito, natural e conhecido.

Ele descrevera nosso encontro, suas palavras eram lindas, saboreadas instante a instante... Dissertadas com uma profundidade inebriante, registrando o momento único de um encontro pleno de mentes, corpos e espíritos...

Foi assim que nos desejamos...
Em plenitude vivemos aquele momento, que nossas memórias jamais apagarão...



Uma história de amor, com laços fortes... Quem sabe um dia transcreva...

Beijos, a todos que visitam este espaço!

domingo, 29 de junho de 2008

Vestido de noiva preto

Sempre gostei de olhar fotos antigas de parentes, já que convivi muito pouco com os meus. Não tenho referencias dos meus antepassados, meus avós maternos foram os únicos que conheci. Minha Großmutter (avó) não falava a língua portuguesa e meu Großvater (avô) falava em português, mas com dificuldades.

Em algumas fotos de casamentos, as noivas trajavam vestidos pretos. Pedindo a minha mãe o porquê, ela respondeu (como sempre) com uma longa explicação: Naquele tempo se casava de preto.

Muito bem, resolvi descobrir se alguém sabia. Todavia, a todos que pedi diziam desconhecer o porquê que antigamente se casava de preto. Resolvi pesquisar e encontrei algumas explicações. Até o fato de que no período medieval o senhor feudal fazia uso da prima notte, ou seja, ele teria direito à primeira noite da mulher do seu servo. Por isso como forma de manifesto, a noiva se casava de preto.

Mas a explicação que acredito ser a verdadeira, é que as noivas passaram a se casar de preto por motivos econômicos, uma vez que o vestido dessa cor teria muito mais utilidade que o branco. Poderia ser usado mais vezes e também pelo fato do vestido branco encardir ficando feio, visto que na época não existia calçamento ou asfalto e muito menos o tal sabão em pó e alvejante.

Somos descendentes, a maioria aqui do sul de alemães e italianos, etnias que predominam. E a maioria que aqui aportaram, ou quase todos, aventureiros em busca de uma vida nova, a realeza e os brasões não fazem parte de nossas famílias. Ainda, além de aventureiros alguns fugitivos, que chegando ao Brasil mudaram seus nomes, o que dificulta muito descobrir a descendência e buscar as raízes...


Aos visitantes desse espaço, beijos!




Foto do casamento, de uma tia e madrinha de minha mãe.



sábado, 21 de junho de 2008

Doce Constanzia

Ramon revirava-se na cama, sentido falta de sua querida e doce Constanzia, sus besos calientes e seu corpo estonteante e lânguido exalando doces aromas. Por mais de uma semana, Constanzia mantinha-o longe de sua cama, torturando-o e fazendo-o sofrer pela sua ausência. De súbito levantou e foi bater a porta do quarto dizendo:

-¿Constanzia? Ela fingindo dormir, não responde. Ele espera mais um segundo e volta a chamá-la:

-Constanzia mi amor.

- ¿Si? – Responde Constanzia, fingindo que acordava com seu chamado. Então ele diz quase num gemido.

-Abra la puerta, quiero ir a dormir con usted.

-¡No abra! ¡Tampoco voy a cocinar más puchero para usted! Usted es un conversador, me dejan solo a bailar con otras chicas.

- Pero, ¿qué otras muchachas, mi amor? Ella fue a bailar con su madre y su hermana, mi amor. Argumentava Ramon já em desespero, explicando que só tinha dançado com sua mãe e sua irmã.

-¡Pero estuvo viendo a otras chicas, con esa mirada valiente!-Reclamava Constanzia, sobre os olhares que Ramon havia dirigido às moças presentes no baile.

- Constanzia mi amor, sólo tienen ojos para ti mi dulce amor.-Argumentava ele já em desespero pela resistência de Constanzia e prosseguiu:

- Ha profundamente el amor y todo mi corazón. Faz-se silêncio por alguns segundos e então ela se aproxima da porta e abre uma fresta da porta e pergunta:

-¿Amas mismo? ¿Sólo me?- Disse ela, fazendo dengo e mostrando que sua resistência finalmente cederia.

-¡Sí, sólo tú! No hay más hermosa mujer en Mexico. E dando um beijo em sua doce e amada Constanzia, Ramon carrega-a em seus braços até a cama, apagando a luz.

Sussurrando em seu ouvido, após momentos de êxtase e de amor:
- Mi dulce amor… contado los minutos que ausente estuve de ti, contado los segundos pero al fin ya estoy aquí… ¿Constanzia mi amor? E ela responde somente:

-Si amor... Então ele pergunta:

¿Mañana puede hacer un puchero para mí?




A todos visitantes, um ótimo final de semana!
Beijo!

Puchero:Comida típica. Cozido feito de carnes, legumes e leguminosas, com acréscimo de chiles mexicanos e tomates. Na Espanha, é chamado puchero ou cocido, sendo o mais conhecido o cocido madrileño.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A carta

Quando o carteiro chegou trazendo a correspondência logo cedo, Eva já imaginava de quem seria aquela carta. Meses ansiara sua resposta e agora que ela chagará não tinha forças para ler. O entardecer logo chegaria e ainda Eva segurava a carta nas mãos sem coragem de abri-la.

Mentalmente repassou os últimos momentos antes de sua partida, para longe daquele que tanto amava. Num lamento suas lágrimas escorriam e a saudade dilacerava sua alma. Quisera ela que o destino tivesse sido outro, que pudesse estar em seus braços. Mas não tinha sobrado alternativa-pensava ela-, a imposição e sua obrigação familiar, baseada em conceitos sociais faziam-no renegar sua felicidade.

Eva, já sem argumentos para aquele que tanto amava, decidira partir e começar uma nova vida. Quem sabe a distância e tempo ajudem-me esquecer – dizia a si mesma.

A decisão de escrever-lhe nasceu num momento de impulso. Quem sabe-pensava Eva cheia de esperanças-, ele tivesse repensado sua decisão em todo esse tempo, dando a si uma chance de todo seu amor ser vivido.

A possibilidade estava no conteúdo da carta, o temor tomava-a por inteiro sabendo que uma bifurcação ali estava, onde destinos são selados, de encontros e desencontros. Ansiava que o coração de seu amado estivesse nas linhas daquela carta, não nas razões de conveniências que até então tinham conduzido sua forma de agir e pensar. Que ele tivesse discernimento suficiente, coragem e ousadia de viver tudo que aquilo que seus corpos e almas, numa entrega febril de momentos únicos já vividos pudessem ser repetidos...

Respirando fundo numa prece muda, rasgou o envelope com as mãos tremulas e o coração aos pulos leu a primeira frase: Saudoso, escrevo-te...




Alguns momentos e alguns amores marcam a ferro quente! Podemos trocar os nomes e os lugares, mas não os fatos... "A dor de quem ama é única, não pode ser medida... "

Aos visitantes desse espaço, beijos!


sábado, 14 de junho de 2008

Uma carreta, carregada de esperanças...

Já anoitecia e os últimos raios de sol, tinham deixado no céu matizes do vermelho como se fossem pintados a pincel. A carreta rangia e os bois mostravam cansaço. As crianças pendiam suas cabeças dormindo, o caçula no colo da mãe e os outros encostados, nas poucas bugigangas que faziam parte da mudança, uma lata de banha, uma saca de milho, e outra saca com uma quarta de feijão, doada pelo compadre Leotêncio-padrinho do caçula-, para semear e dar início a um novo plantio. Alimentos que dariam somente para a viagem e no mais sonho e esperanças acompanhavam aquela família.

Ernesto relembrou o momento em que chegou a casa e sua esposa já sabendo da notícia, somente o fitou com aqueles olhos negros feitos jabuticaba compreendendo toda a sua dor e em silêncio o abraçou... Amargas eram as lágrimas de Ernesto, como amargo e cruel tinha sido o Senhor das terras, no qual Ernesto tinha semeado sonhos de um viver digno.

Várias vezes tinha sofrido ameaças pelo senhor das terras , em proibição para que não gastasse seu tempo na doma de cavalos. E quando deixou de ser ameaças, tentou desferir em Ernesto um golpe de facão que por sorte não o atingiu, sob ordens para que Ernesto se retirasse de suas terras.

Os poucos pertences de sua esposa Luzia faziam parte da mudança, um baú com uma colcha de retalho-feito por sua avó-, seus parcos vestidos (já surrados e gastos pelo uso) e um porta-retrato com a foto de Luzia e de suas irmãs, tirada na festa da santa padroeira do lugar. E Luzia assim se chamava pois sua avó devota da santa, na hora do parto tinha feito à promessa que se a criança esperada nascesse com vida e fosse mulher, batizaria com o nome da santa. Luzia nasceu e sobreviveu, mas sua mãe após o parto difícil faleceu e a responsabilidade de criar Luzia e suas irmãs, recaiu sobre sua avó.

Ele fitou aquela que escolhera como companheira de vida, eleita aos seus olhos a mais bela da redondeza, implorando para que a Santa Luzia protegesse sua família e em silêncio fez uma prece para que sua esposa resistisse à viagem, pois mais um filho estava a caminho.

Todavia, sabia que para onde se aventurava com sua família, não era nem de perto parecido do lugar que até então tinha vivido...


Beijo a todos que visitam esse espaço!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Paixões e Escolhas...

Nada! Nada! Nada que digas mudará o que penso, nem tente me reter!!! Os gritos ecoavam por todo o recinto, carregados de tensão, no momento que Esther retirava-se batendo a porta.

Em sua última apresentação, sob os aplausos do publico encantado com os acordes perfeitos de uma belíssima apresentação, Esther junto com a orquestra em mesura agradecia. A turnê tinha chegado ao fim, encerrada com uma noite de glória.

Esther exalava música pelos poros, sua paixão e sua entrega extasiavam a quem a ouvia derramando sua alma nas cordas de seu violoncelo. Tinha optado pela música, deixando para trás sua vida e o homem a quem amava, para seguir sua carreira. Mas o preço imposto para que continuasse era muito alto e ela jamais havia sentido algo pelo maestro.

Aplausos e alegrias, dor e lágrimas, dizia ela a si mesmo caminhando em direção à estação de trem. Em um momento via-se flutuando em direção ao céu, sentia-se tocando as asas de um anjo que a conduzia ao infinito, em outro a dor dilacerava sua alma, remetendo novamente a escolhas.

Suas lágrimas escorriam, mas ela não se dava conta. E quando o trem partiu sentiu que se encerrava um ciclo de sua vida. Voltaria para o lugar onde sempre viveu, de onde saiu para viver seu sonho.

Esther acordou com o barulho da chuva, abriu os olhos e percebeu a chuva pela janela. Quando a visão clareou, percebeu aquele a quem tanto amara ali, contemplando-a em silêncio, enquanto ela se espreguiçava. E então ele disse:

- Bem vinda, amor de minha vida... Nunca duvidei que um dia voltasse a esse lugar. Esperei-te todos os dias, que foram longos e iguais sem você aqui.


Beijos a todos que visitam este espaço!


Foto: Glimboo